Malefícios causados pelo cigarro que também não podem ser esquecidos

Por Mariana Jacinto

As notícias que alertam sobre este grave problema de saúde pública – o tabagismo – fazem menções principalmente ao câncer de pulmão, deixando em segundo plano outras doenças e malefícios causados pelo fumo passivo e ativo.
O câncer de bexiga, por exemplo, é uma doença associada ao consumo do tabaco, que está pouco presente na primeira relação direta que a maioria das pessoas faz ao relacionar cigarro-doença, como a associação cigarro-câncer de pulmão, que é mais usual.
Segundo a notícia veiculada no site “Diário da Saúde” pela agência da USP, “Um Levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em parceria com a Faculdade de Medicina da USP, apontou que 65% dos homens e 25% das mulheres com tumores de bexiga apresentavam histórico de tabagismo. O câncer na bexiga é o segundo colocado entre os tipos de tumores que atingem os sistemas genital e urinário. Diversos fatores estão relacionados ao desenvolvimento de tumores no órgão, mas o mais importante é o tabagismo.”
Além disso, outro malefício causado pelo tabaco que não pode ser esquecido é o envelhecimento da pele. Na reportagem do Correio do Estado, o consumo do cigarro é o primeiro colocado entre os hábitos que provocam este malefício: “1 – Cigarro: O cigarro diminui a oxigenação da pele. Quanto maior o consumo de cigarro, maior o desgaste. O resultado pode ser uma pele grossa, amarelada, sem viço e opaca por causa da nicotina. O cigarro também pode provocar flacidez, rugas ao redor dos lábios (por causa do ato de sugar) e ao redor dos olhos (pelo ato de fechar os olhos parcialmente para proteção contra a fumaça).”

Ainda no tema cutâneo, vale mencionar também uma doença associada ao fumo ativo e passivo chamada Dermatite Atópica. A DA é uma doença crônica e não contagiosa, que causa inflamação na pele, levando ao aparecimento de lesões e coceiras. Apesar de sua origem ser hereditária, a fumaça de cigarro contribui para o agravamento de seus sintomas, o que prejudica tanto fumantes ativos como passivos (e principalmente crianças filhas de pais fumantes) portadores da doença.
Veja na íntegra a notícia publicada no site Diário da Saúde sobre o câncer de bexiga e o tabagismo; o consumo de cigarro como um hábito que envelhece a pele no site do Correio do Estado, segue nos links abaixo. E também o site da Associação de Apoio a Dermatite Atópica (AADA):

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=cancer-bexiga-cigarro&id=5336

http://www.correiodoestado.com.br/noticias/dez-habitos-que-envelhecem-sua-pele_126620/

http://www.aada.org.br

Fumante passa por cinco fases ao decidir parar

Fantástico – Dr. Drauzio Varella

A tomada de decisão para largar o cigarro resulta de um processo que costuma levar anos ou décadas para se completar. Especialistas demonstram que, do ponto de vista didático, é possível reconhecer cinco estágios pelos quais a maioria dos fumantes passa antes de jogar fora o maço.

A primeira é a Fase de pré-contemplação, quando os fumantes não pensam em mudar seu comportamento e racionalmente veem mais vantagens em fumar do que deixar de fazê-lo. Já a Fase de contemplação acontece quando o fumante sente no corpo alguns problemas causados pelo fumo, tenta reduzir o número de cigarros, mas ainda não se convenceu completamente de que vale a pena ficar livre da dependência.

Na Fase de preparação, o fumante já sabe que o cigarro é seu inimigo, pensa seriamente em largar, mas ainda lhe falta coragem para adotar medidas radicais. É na Fase da ação que finalmente o fumante se confronta com sua condição de dependente e toma a decisão de parar. Muitos dos que estão nesta fase chegam a marcar data para fumar o último cigarro. Mas a etapa mais difícil é mesmo a Fase de manutenção, porque muitos hábitos associados ao fumo precisam ser modificados.

Agora, se houver recaídas, não há problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os fumantes fazem, em média, três ou quatro tentativas antes de conseguir parar de fumar definitivamente.

Fonte texto: http://www.uniad.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11336:fumante-passa-por-cinco-fases-antes-de-decidir-parar&catid=29:dependencia-quimica-noticias&Itemid=94

Novas medidas de controle do tabaco

A medida provisória 540 foi aprovada dia 26 de outubro na câmara e segue para o Senado. Ela prevê, entre outros temas, o aumento de impostos para produtos de tabaco, que ao se refletir em aumento de preços é considerada como uma das formas mais eficazes de desestimular e reduzir o consumo. Além disso, haviam sido inseridos outros temas ligados ao controle do tabagismo, como a adoção de ambientes livres do fumo, mas a redaçào estava ruim e podia acabar significando um retrocesso. Organizações e representantes da saúde protestaram e no fim tivemos uma melhora do texto, não total mas com boas perspectivas, como a adoção nacional de lei que proíbe o fumo em áreas fechadas, aumento de impostos, proibição de propaganda em pontos de venda, que seja aprovada em breve no Senado!

Em defesa das liberdades individuais!

É evidente que num país que passou por uma longa ditadura, como é o caso do Brasil, parte da sociedade seja avessa à ideia do Estado controlar os comportamentos individuais, assim como à menor possibilidade de controle de conteúdo da mídia.
Tendo essas duas premissas em mente convido o leitor a uma reflexão sobre o atual contexto sócio-economico-político do Brasil do século XXI, que muitas vezes evoca o sentimento de que o poder do Estado está tentando cercear nossas liberdades individuais e a nossa liberdade de expressão. Essa tese, bastante simplista, ignora uma série de atores e de relações de poder que são muito mais poderosas em ditar comportamentos, o que vestimos, o que comemos, como nos locomovemos, onde vivemos, do que o temido poder do Estado.
Acho correto e fundamental que as pessoas tenham apreço ao conceito de liberdade individual. Mas o que de fato isso significa? Desconheço qualquer fundamento filosófico que não pressuponha limites para o próprio conceito de liberdade. Numa vida em sociedade, onde se situam as liberdades individuais na convivência com o coletivo? Como as relações de poder determinam a liberdade de alguns em detrimento do confinamento de outros?
Sem querer defender ou fazer apologia a qualquer governo, instância de poder ou partido político, que carecem de credibilidade e que colecionam eventos de corrupção, essa e várias outras questões são importantes para refletirmos sobre quais as configurações de poder que de fato são uma ameaça as nossas liberdades individuais. A nossa única esperança de um nível mínimo de liberdade pressupõe informação baseada em evidências e regulação. Os críticos da ciência que me perdoem, mas os parâmetros que “escolhemos” para definir nossas verdades é a ciência, portanto é a partir das evidências que temos que pautar o nosso acesso a informação. Em outras palavras, não existe liberdade sem limite.
Em função da pertinência do debate diante de uma série de discussões que acontecem no Brasil hoje, escolho o exemplo da mal-fadada (e com muita razão) indústria do tabaco. Não fosse a regulação dessa indústria, hoje nossos filhos adolescentes seriam assediados por promotores de venda dos grandes fabricantes de cigarros distribuindo amostras grátis de cigarros com sabor de baunilha, cereja, morango em embalagens psicodélicas no show do Justin Bieber. Ou melhor ainda, o show do Justin Bieber seria patrocinado pela Souza Cruz ou pela Phillip Morris.
Apesar dos avanços na regulação dessa indústria, será que já conseguimos evitar que nossos jovens deixem de ser aliciados pela sede de lucros dessa indústria? Aqui faço um parêntese. Para aqueles que alegam que o maior problema do Brasil hoje são as drogas como o crack e o oxi, é importante ressaltar que a grande maioria de usuários de drogas Ilícitas começou usando drogas lícitas como cigarro e álcool. Pesquisa finlandesa, por exemplo, mostrou que adolescentes que começam a fumar por volta dos 12 anos de idade têm 26 vezes mais chances de experimentar e desenvolver o hábito de consumir maconha ou outra droga ilícita aos 17 anos.

A resposta à pergunta acima é NÃO, ainda temos um longo caminho a percorrer e o que temos testemunhado em termos de lobby e pressão é assustador e, infelizmente, não lemos nada nos veículos de grande circulação que identifique o que está por trás das críticas a posições do governo em relação a esse tema. O fato é que hoje, 6 de outubro, seriam realizadas duas audiências públicas sobre resoluções propostas pela ANVISA que tratam da exposição das embalagens de cigarro nos pontos de venda e na adição de aditivos como menta, baunilha, chocolate, morango nos cigarros que os tornam mais atrativos justamente entre jovens e adolescentes para iniciação no tabagismo.
As propostas da ANVISA contam com respaldo de um tratado internacional ratificado pelo Brasil em 2006 e com apoio total das entidades médicas, de defesa do consumidor, da infância e juventude, entre outras. No entanto, a indústria conseguiu emplacar mais uma manobra protelatória e ontem no final do dia surgiu uma decisão judicial do desembargador Vilson Darós do RS, solicitada pelo Sinditabaco, que suspendeu a realização das audiências. Não é a primeira e nem será a última vez que, na falta de argumentos defensáveis, a indústria apela. A decisão desse juiz foi lamentável, pois suspender a realização de audiência pública é uma das atitudes mais anti-democráticas que já testemunhei. Isso comprova que a indústria não quer ser ouvida e sim impedir avanços na política de controle do tabagismo.
Outra estratégia utilizada para desvirtuar o debate sobre os objetivos das medidas propostas é a divulgação de um relatório encomendado por aliados da indústria do tabaco para FGV que dissemina argumentos de perdas econômicas sem nenhum embasamento. Entidades nacionais e internacionais de saúde, OPAS – Organização Pan Americana de Saúde, Universidade de Johns Hopkins, Campaign for tobacco free kids e ACT – Aliança de Controle do Tabagismo, analisaram o relatório e concluem que não há nenhuma evidência científica que respalde as declarações feitas pelo relatório comprado da FGV.
Como coordenadora de uma rede de entidades e profissionais das mais diversas áreas de atuação que acompanha esse tema de perto, confesso que estamos assustados com as garras do lobby da indústria do tabaco. Que apesar de propagar aos quatro ventos que é transparente, não dá a cara a tapa e usa grupos de frente para manter seus lucros e pior do que isso, usa o elo mais fraco da cadeia produtiva, os agricultores, como massa de manobra. Precisamos abrir os olhos, não tenho medo do Estado, mas tenho medo dos representantes do Estado que se dobram a interesses corporativos privados em detrimento do bem público.

Paula Johns.

Não é mera coincidência

Acham que é por acaso esta semelhança?
E por que os cigarros sempre são colocados perto do caixa, das balas, chocolates e chicletes?
Estratégia de marketing para atrair adultos fumantes?
Evidente que o interesse é atrair e confundir crianças e jovens, como se o cigarro fosse inofensivo e gostoso como uma balinha. Se tem sabor de canela, menta, mais parecido fica. A idéia é simples, e infelizmente funciona.

Estudo revela que paulistanos estão fumando menos

Por Kim Mello

De acordo com a matéria do site Terra: “Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontou que o paulistano está fumando menos. De acordo com o estudo, o número de pessoas que fumam dois ou mais maços de cigarro por dia na cidade de São Paulo caiu 31% entre 2009 e 2010. A pesquisa teve como base intervenções de rua promovidas pelo CRATOD (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas) em locais movimentados da capital paulista”.

A matéria também traz que a lei antifumo e a maior disseminação de informações acerca dos males provocados pelo cigarro influenciaram o comportamento dos fumantes, e também se observou um crescimento do total de pessoas que declararam serem não fumantes.

Dessa matéria podemos comentar alguns dos pontos destacados/enfatizados. É importante compreender que a atuação e iniciativa das diversas instituições que combatem o tabagismo (sejam públicas ou provenientes da sociedade civil) ajuda muito a conscientizar as pessoas, levando informação ao público por meio de campanhas, distribuição de material e debates na mídia. Por fim, reconhecer os avanços que a lei antifumo estadual proporcionou. Repare que se unirmos as iniciativas com o respaldo normativo, os resultados aparecem! Fica aqui, mais uma vez, nosso apelo para o apoio a lei antifumo de escala nacional!

Flexibilidade moral?

Por Kim Mello

A recente declaração do Presidente da Souza Cruz, Dante Letti, de que o cigarro faz mal à saúde, mas que acabar com a indústria tabagista não resolveria o problema, merece ser objeto de debate, pois não há qualquer movimento no mundo para acabar com a indústria do tabaco. “No site oficial da Souza Cruz, líder no mercado nacional de cigarros, os visitantes se deparam com a frase: A única maneira de evitar os riscos associados ao cigarro é não começar a fumar”. O que, convenhamos, associa o consumo do cigarro aos conceitos clássicos de liberdade e livre-arbítrio(conceitos que não podem ser relacionados ao tabaco, já que o produto causa dependência). Pois bem, já adianto que se quiserem entender qualquer discussão a respeito de saúde pública x indústrias, excluam esses conceitos e se pautem por outros dois: Publicidade e Propaganda.
De fato é preciso “deixar bem claro que quem criou a demanda por cigarro não foi a Souza Cruz. O hábito de fumar faz parte da sociedade desde os primórdios”, mas que a Souza Cruz contribuiu e muito para manter essa demanda! O que portanto é um tiro no próprio pé, já que o presidente afirma a existência da demanda por cigarro e de que sua empresa se aproveita disso… Não adianta disfarçar falando que “a Souza Cruz nada mais é do que um agente econômico que faz com que a demanda e a oferta se encontrem”. Se ela fosse apenas um mero agente econômico, não investiria milhões em publicidade e propaganda no intuito de conquistar mais dependentes, dependentes esses de uma substância que mata.
Caro leitor, merece maior destaque o fato de o interesse da saúde pública não ser o que prevalece! A Souza Cruz, assim como outras indústrias, se pautam em discursos que tendem a “ofuscar” os males causados por seu produto.O mais importante, que é a saúde do ser humano… Onde está a preocupação com o ser humano? Sinceramente não é objetivo das atividades desempenhadas por essa empresa.

Desconstruindo o discurso acerca do Desenvolvimento Sustentável

Por Kim Mello

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o “desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental”.

Na teoria a idéia é muito interessante, conciliar produção com preservação de recursos parece ser a receita do sucesso. A grande questão é: Sucesso pra quem? Na prática, muitas empresas se valem do discurso sustentável, passando a imagem de que se preocupam com o meio ambiente. Produzir e ao mesmo tempo ter “selo sustentável” é a receita perfeita para maquiar as verdadeiras intenções da empresa, uma vez que o uso do conceito de sustentabilidade cria uma espécie de barreira/escudo, meio que impossibilitando de alguém relacionar um problema de saúde ou meio ambiente a determinada empresa, já que ela adota o discurso sustentável…

Portanto, muito nos espanta ver uma indústria produtora de cigarros ganhar um prêmio de responsabilidade social empresarial, inclusive nas categorias: Consumidores e Meio Ambiente. É um descompasso, pois o produto que eles vendem gera lixo tóxico (bitucas) e mata os consumidores. Mas calma gente, eles matam com responsabilidade.